DÚVIDAS

 

O que é Neuromodulação?

Neuromodulação é um tratamento médico com tecnologia avançada que tem a função de modular a atividade do sistema nervoso central (cérebro ou medula espinhal) e/ou periférico (raízes e nervos espinhais), no intuito de estimular ou inibir determinada área.

Pode-se utilizar as seguintes técnicas:

1) Não-invasiva: através da aplicação de aparelho ou eletrodos externos na cabeça, com indivíduos conscientes;

2) Semi-invasiva: pelo implante de marcapasso ou necessidade de sedação,

3) Invasiva:por neurocirurgia; 

 

Na Magneuro, são realizadas as técnicas não-invasivas, sendo elas a estimulação magnética transcraniana e a estimulação elétrica transcraniana.

Para que serve a Neuromodulação?

As técnicas de estimulação cerebral - Estimulação Transcraniana de Corrente Contínua (ETCC ou tDCS) e Estimulação Magnética Transcraniana (EMT ou TMS) têm o objetivo de resgatar o equilíbrio neuronal para diminuir sintomas provenientes das alterações neurológicas em diversas doenças e potencializar as respostas com as intervenções realizadas para reaprendizado funcional.

Poderá ser aplicada em:


 

  • DEPRESSÃO

  • DOR CRÔNICA

  • ESPASTICIDADE

  • PARALISIAS

  • DESORDENS DO MOVIMENTO

  • PERDAS SENSORIAIS

  • ALTERAÇÕES DA FALA

  • ALTERAÇÕES NA MEMÓRIA

  • TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS

Como é o tratamento para Depressão?

Apesar das várias opções farmacológicas disponíveis atualmente, cerca de 20% dos pacientes com depressão continuam com sintomas sérios e limitantes.

As modernas técnicas de estimulação - Estimulação Magnética Transcraniana (EMT ou TMS, do inglês) e a Estimulação Elétrica Transcraniana (ETCC ou tDCS) surgiram como novas opções de tratamento para esta condição. Trata-se de uma técnica segura que, por meio de uma bobina e um estimulador, gera pulsos eletromagnéticos no cérebro. Esses pulsos podem ativar ou inibir uma área específica do cérebro com a finalidade de tratar a depressão.

Estudos demonstraram que na depressão ocorre hipoatividade de uma região do cérebro que é o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo e hiperatividade nessa mesma região à direita do cérebro. O que se sabe é que a atuação nessas regiões leva à comunicação com áreas mais profundas, no sistema límbico e induz a liberação de noradrenalina, serotonina e dopamina locais.

A EMT para a depressão foi aprovada no Canadá e nos Estados Unidos em 2001 e 2008, respectivamente e, em 2012, o CFM aprovou seu uso no Brasil.

 

A frequência do tratamento envolve uma sessão de, aproximadamente, 20 minutos por dia, de 2 a 8 semanas, dependendo do caso.

Como é o tratamento para a Dor Crônica?

A dor crônica é considerada uma reação mal adaptativa cerebral. É como se, a partir de alguns meses com dor frequente, o próprio corpo entenda que o normal é ter dor. Isso é diferente da dor aguda, que funciona como um alerta, indicando que algo não está em bom funcionamento no corpo.

Essa cronificação pode ocorrer por lesões físicas (doenças inflamatórias, traumatismos) ou deriva de distúrbios emocionais (depressão). Independente de qual fator, sua instalação acontece por mecanismos de neuroplasticidade*, chamada de plasticidade mal adaptativa, por não ser funcional. Esse processo na dor crônica torna o tratamento um grande desafio para todos os profisisionais envolvidos, pois as respostas aos tratamentos habituais vão reduzindo ao longo do tempo.

As técnicas de neuromodulação têm o objetivo de gerar diretamente a modulação central da dor, modificando a excitabilidade cortical e estimulando determinadas regiões cerebrais a produzir substâncias neurotransmissoras que atuem na inibição da mesma.

A ideia é promover, através da neuromodulação, modificações plásticas positivas e fazer com que os circuitos neuronais tenham caminhos funcionais para o controle da dor, ou seja, fazer com que o cérebro “entenda”que ter dor não é normal e o próprio cérebro produza substâncias que vão combater a dor.

Até agora, as dores crônicas que mais obtiveram resposta em trabalhos científicos sérios realizados foram a fibromialgia e a dor neuropática.

*Neuroplasticidade é a capacidade de que o cérebro tem de se moldar e aprender novos caminhos no processo de readaptação a um dano, ou acontece de forma espontânea, como no processo de aprendizagem. Existem estudos demonstrando que a neuromodulação atua no processo de neuroplasticidade cerebral. 

Como é o tratamento com a Neuromodulação após um AVC?

Após uma pessoa sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), a área cerebral lesionada fica inativa e os neurônios vizinhos tentam assumir a função daqueles que sofreram o dano. Isso faz parte do processo de neuroplasticidade natural, já conhecido.

Essa tentativa, muitas vezes, é mal adaptativa, gerando modificações nas membranas neuronais, tornando-as hipoativas em algumas áreas e/ou hiperativas em outras.

A neuromodulação vai auxiliar a reequilibrar a atividade cerebral para melhor recuperação da função perdida.

Em muitos pacientes com perda motora em membros, há uma redução no nível da excitabilidade dos neurônios sobreviventes adjacentes ao lado lesionado. O hemisfério do outro lado (não-afetado), na tentativa de restabelecer o equilíbrio existente entre os dois hemisférios cerebrais, aumenta a excitabilidade neuronal de forma exagerada. Isso prejudica a recuperação do membro afetado do paciente, contribuindo com espasticidade (rigidez) do mesmo e prejudica a recuperação da função. A neuromodulação na reabilitação motora do AVC auxilia nesse processo, como tentativa de normalizar a atividade cerebral, tanto com a estimulação da área afetada quanto com a inibição da área não-afetada.

 

Em um estudo surpreendente publicado pela revista Brain em 2007, foi demonstrado que pacientes que sofreram alteração na fala (afasia), mesmo após anos com essa sequela, ainda podem manifestar melhora da linguagem quando a neuromodulação é associada ao processo de treino habitualmente realizado pela fonoaudiologia. Isso indica que a neuroplasticidade pode acontecer mesmo em pacientes crônicos, que já eram considerados como portadores de sequela permanente.

Como é o tratamento com a Neuromodulação na reabilitação infantil?

As técnicas de estimulação cerebral - Estimulação Transcraniana de Corrente Contínua (ETCC ou tDCS) e Estimulação Magnética Transcraniana (EMT ou TMS) se mostraram seguras em crianças com transtorno do neurodesenvolvimento. Têm o objetivo de resgatar o equilíbrio neuronal para diminuir sintomas provenientes das alterações neurológicas em diversas doenças e potencializar as respostas com as intervenções realizadas para reaprendizado funcional.

A plasticidade cerebral - produção de novas conexões cerebrais - é bastante ativa na infância e acontece com o aprendizado em atividades de reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outras). Com a estimulação, a intenção é de potencializar as respostas ao ser realizada de forma combinada a essas terapias.

Poderá ser aplicada em:

 

  • DOR

  • ESPASTICIDADE

  • PARALISIAS

  • DESORDENS DO MOVIMENTO

  • DEPRESSÃO

  • PERDAS SENSORIAIS

  • ALTERAÇÕES DA FALA

  • ALTERAÇÕES NA MEMÓRIA 

  • TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS

Como funciona a Neuromodulação?

Para entender como funciona a neuromodulação, é necessário aprender antes o conceito de neuroplasticidade. Neuroplasticidade é a capacidade de que o cérebro tem de se moldar e aprender novos caminhos no processo de readaptação a um dano, ou acontece de forma espontânea, como no processo de aprendizagem. Existem estudos demonstrando que a neuromodulação atua no processo de neuroplasticidade cerebral. 

A estimulação magnética transcraniana (EMT ou TMS, do inglês) é composta por um aparelho que converte a energia elétrica em magnética, ligado a uma bobina que transmite impulsos magnéticos na cabeça. Esses impulsos são capazes de atravessar o crânio e atingir os neurônios, modulando a atividade dos mesmos.

O interessante é que o campo magnético leva à formação de um campo elétrico e os efeitos obtidos com o uso da EMT se devem à despolarização dos neurônios, movimentando a carga através da membrana neuronal. Isso influencia o desempenho de diversas áreas cerebrais.

A estimulação elétrica transcraniana (ETCC ou tDCS, do inglês) atua através da passagem de corrente elétrica de fraca intensidade, após colocação de eletrodos na cabeça em áreas predefinidas, a depender do que se pretende, estimular ou inibir áreas cerebrais.

Em muitas doenças neuropsiquiátricas, como na depressão, na dor crônica e no acidente vascular cerebral (AVC), o cérebro inicia um caminho disfuncional e reverbera esse processo, e uma parcela importante de pacientes deixa de responder a medicações ou a outros tratamentos convencionais e podem até mesmo piorar ao longo do tempo. A neuromodulação já demonstrou ser uma arma potente no processo de reabilitação de muitas dessas condições.

Como é feito o tratamento com a Neuromodulação?

Para a estimulação magnética transcraniana, o paciente receberá uma touca (como a usada em natação) para que o local correto a receber a estimulação seja marcado.

Serão realizadas as medidas e a marcação do ponto exato da estimulação já na primeira sessão, além de ser calculada a intensidade do estímulo a ser aplicado.

Nas sessões seguintes, bastará vestir a touca e aplicar a bobina no local marcado, sendo as sessões com duração entre 15-30 minutos.

Na fase inicial do tratamento, chamada fase de indução do tratamento, o paciente deverá ir diariamente à clínica e, a depender do protocolo utilizado para cada doença, esta fase pode durar entre 5-30 sessões (são dias seguidos e poupam o final-de-semana).

É realizada com o paciente sentado (em poltrona reclinável) e o paciente permanece consciente durante todo o tempo.

Os pulsos fazem barulho (“clicks”) seguidos por pausas silenciosas, sendo que a frequência dos mesmos será determinada a depender do que se pretende com a doença a ser tratada.

Na estimulação elétrica transcraniana, são aplicados no couro cabeludo dois eletrodos envoltos por esponjas úmidas, embebidas por soro fisiológico e são fixados por faixas ajustáveis.

As sessões duram, em média, 20 minutos e o paciente permanece consciente durante todo o tempo. 

Também deverá existir uma fase de indução com sessões diárias (entre 5-30).

Em ambas as técnicas, após a fase de indução, vai ser definida a fase de manutenção, em que poderão ser espaçadas as sessões a 1 vez por semana, a cada 15 dias ou mensais, a depender do caso e do grau de resposta após a fase de indução.

É seguro?

Sim. As técnicas de neuromodulação são extremamente seguras, desde que respeitados os protocolos de segurança já estipulados.

 

Segue o link do estudo com as recomendações de segurança.

https://www.clinph-journal.com/article/S1388-2457(10)00342-1/fulltext 

Dói?

A estimulação magnética transcraniana é considerada indolor pela maior parte dos pacientes, mas a região a receber os estímulos pode ficar sensível de forma transitória, o que não chega a ser motivo para limitar o tratamento.

 

A estimulação elétrica transcraniana também é indolor. Até crianças, em geral, conseguem realizar com tranquilidade.

Quais os efeitos colaterias?

As técnicas de neuromodulação, estimulação elétrica transcraniana (ETCC ou tDCS) e estimulação magnética transcraniana (EMT ou TMS) têm excelente tolerabilidade e mínimos efeitos colaterais, em sua grande maioria leves e transitórios.

Mais comuns (EMT):

  • Cefaleia (25%): leve e transitória. Quando presente, cede ao analgésico comum.

  • Dor no pescoço (12%): especialmente na primeira sessão, quando há tensão pela expectativa em relação ao tratamento.

Mais comuns (ETCC):

 

  • Vermelhidão (60%): na pele abaixo dos eletrodos, cede espontaneamente (duração média de 15 minutos) e ocorre devido à vasodilatação neurogênica local.

  • Coceira (50%): sensação abaixo dos eletrodos, transitória na maior parte dos casos.

Contra-indicações

A contra-indicação absoluta é a presença de clipes metálicos, como clipe de aneurisma ou prótese coclear, próximo à área a ser estimulada.

São contra-indicações relativas (ou seja, precisa avaliar se os benefícios superam os riscos e vai depender da avaliação individualizada):

 

  • Gestação;

  • Epilepsia.

  • Uso de marcapasso cardíaco.

Estudos científicos que comprovam eficácia

Dores crônicas

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25581213
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27150193
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26606017 

Acidente Vascular Encefálico

http://jnnp.bmj.com/content/early/2015/08/28/jnnp-2015-311242
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27172484
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27262725

Paralisia cerebral

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25536713
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25372004

Zumbidos

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26181507
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26583152

Doença de Parkinson

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24849794
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27117282

Demência

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26022770

Doença de Alzheimer

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26022770
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18525028
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21671144
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26365021
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20574108

Depressão

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27090022
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24113125
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27056623
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27269205
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27093063
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27178002
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26398527
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26209930

Alucinações auditivas da esquizofrenia

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20117918
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25206578
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19679450
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25206578
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27098066